18 anos sem Caio Fernando Abreu: Da epifania à singularidade

Suas palavras percorreram décadas para se tornar febril aos usuários das redes sociais. Em formato de desabafos e experiências, seus textos se tornaram ícones e trouxe sua literatura para o íntimo das pessoas. O autor contemporâneo, um dos mais célebres do país senão do mundo, consegue trazer à tona os sentimentos mais dissimulados existentes dentro do ser humano (Sim, isso foi uma confissão. É incrível como me encontro em seus textos e me emociono tanto, a ponto de descobrir coisas tão escondidas em meu juízo).

Em 2014, completou-se 18 anos da morte de Caio Fernando Abreu, um dos principais expoentes da literatura, jornalismo e dramaturgia brasileira, segmentos onde contribuiu significativamente. Em outubro deste mesmo ano, é lançado o documentário Para Sempre Teu, Caio F no Festival do Rio (RJ)  onde há retratos sobre vida e obra do escritor. No filme há depoimentos de amigos próximos com time estelar de atores interpretando seus textos.

Caio Fernando Abreu sobresobre Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu na cidade interiorana de Santiago no Rio Grande do Sul. Aos 6 anos, escreve seus primeiros textos. No colegial (hoje, ensino médio) tem seu conto “O príncipe sapo” publicado na revista Cláudia. Após o término da escola, iniciou o curso de Letras e Artes Dramáticas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), porém não conclui nenhuma das graduações. Mudou-se para São Paulo depois de ter sido selecionado para fazer parte da redação da revista Veja.

Participante de peso em atos de oposição à ditadura, foi perseguido em 1968 pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). Mudou-se para São Paulo, onde ficou refugiado na casa da escritora Hilda Hilst.

Da esquerda para direita. Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, Robby Cardoso (professor) e Hilda Hilst. (Fonte: Reprodução)

No começo da década de 70, vai para o Rio de Janeiro trabalhar nas recentes revistas Manchete e Pais & Filhos. É preso por porte de drogas, pelo qual diz ter sido “armado”. Volta para Porto Alegre e trabalha em jornais locais. Em 73 viaja para Europa e começa assim, uma renovação em suas funções profissionais. Para se sustentar, trabalhou como lavador de pratos em Estocolmo na Suécia, faxineiro e modelo em uma escola de belas artes em Londres. Retorna ao Brasil no ano seguinte e escreve nas mais diversas funções em variados veículos de imprensa.

Caio e outros jornalistas observam o primeiro número do Caderno 2 do jornal “O Estado de S.Paulo” em 1986. (Fonte: Reprodução)

O jornalista comemorando seu aniversário na redação ao lado de colegas de trabalho. (Fonte: Reprodução)

O jornalista comemorando seu aniversário na redação ao lado de colegas de trabalho. (Fonte: Reprodução)

Caio Abreu foi amigo de várias personalidades culturais importantes do país. Elis Regina (1945-1982), chamada de Pimentinha por Vinicius de Moraes, foi dedilhada pelo autor sobre sua personalidade forte e intrínseca após sua morte, para o jornal Lira Paulistana.

(Fonte: Reprodução)

(Fonte: Reprodução)

Sua amizade se estendeu com Cazuza (1958 – 1990), onde há boatos de que ambos tiveram um pequeno caso. Na ocasião da morte do cantor, Caio escreveu para a revista Around sobre Cazuza.

Caio e Cazuza. (Fonte: Reprodução)

Caio e Cazuza. (Fonte: Reprodução)

Em 1994, conta em sua coluna semanal na carta “Além dos muros” no jornal O Estado de São Paulo que é portador do vírus HIV. Por conta disso, volta para a casa da família em Porta Alegre. Cultivou um jardim de rosas com o pai, revisou sua obra, publicou novos livros e reeditou antigos. Mesmo com tudo isso, continuou a publicar crônicas nos grandes jornais. Ao todo, o escritor realizou mais de 15 obras literárias, que começou a repercutir mundialmente quando ele descobriu que era soropositivo.

Pouco antes de morrer, em 25 de fevereiro de 1996, lhe perguntaram numa entrevista o que gostaria de ter sido se não escritor, e ele revelou sem pestanejar: “Jardineiro”. (por Paula Dip no site oficial do autor)

Dentre seus trabalhos fora da mídia, são seis peças de teatro, sendo uma delas infantil, e mais duas compilações de quadros e cenas curtas. Para conhecer mais sobre o lado dramaturgo e roteirista, recomendo o livro “Caio Fernando Abreu – Teatro Completo”. Esta obra e outras podem ser baixadas neste link.

“Ele era alto, magro, pernas longas, pés descalços e caminhava pelos corredores da editora num ritmo quase baiano, não fosse gaúcho. Jeans, camiseta, óculos redondinhos, lembrava John Lennon. Fumava muito, roía as unhas e passava a mão no cabelo. Tinha uma voz grave e articulava as palavras, saboreando-as lentamente… Éramos jovens jornalistas ganhando a vida nas redações”. – Do livro “Para sempre teu, Caio F.”

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